Mujica: da guerrilha à presidência

2 12 2009

Jose Pepe Mujica, da Frente Amplia ganhou a eleição uruguaia com 53,03% dos votos contra 42,89% para Luis Alberto Lacalle, candidato oposicionista do Partido Blanco

Exatamente às oito e meia da noite do domingo (dia 29 de novembro), a Rambla de Montevidéu explodiu em uma grande festa azul, vermelha e branca. Foi nesta hora que um velho guerrilheiro Tupamaro, tido por muitos como terrorista e assassino e para outros um verdadeiro herói nacional se tornou o novo Presidente da República Oriental do Uruguai. Quando confirmado que Jose Pepe Mujica, da Frente Amplia ganhara a eleição nacional com 53,03% dos votos válidos contra 42,89% para Luis Alberto Lacalle, candidato oposicionista do Partido Blanco, ninguém ficou surpreso com o resultado.

O furor popular foi tão impressionante neste pequeno país quanto a trajetória política de Mujica. A biografia do político de 74 anos e fala firme é marcada por inúmeros sobressaltos: tomou seis tiros da polícia uruguaia, ficou três meses hospitalizado e passou quatorze anos na prisão por ser considerado terrorista pela ditadura militar, sendo que por duas vezes conseguiu fugir.

Mujica é casado com uma senadora que também foi guerrilheira, Lucia Topolansk, e vive em uma granja distante da vida metropolitana de Montevidéu. Ao chegar a presidência se dirigiu ao povo pela primeira vez como presidente eleito dizendo: “companheiros, este é um mundo ao contrário, no palco deveriam estar vocês, povo, e nós embaixo aplaudindo. Esta batalha foram vocês que ganharam’’.

Este foi um segundo turno de apenas um partido. Se no primeiro turno houve um grande debate gerido pelos dois plebiscitos a serem votados, um pela anulação da lei da anistia aos crimes políticos durante a ditadura e outro pela liberação dos votos dos uruguaios residentes no exterior e que ambos foram derrotados, neste segundo turno em Montevidéu só se escutavam as palavras de ordem pró José ‘’Pepe’’ Mujica.

No interior do país a coisa foi diferente, Lacalle ganhou em quatorze das dezenove regiões do Uruguai, mas o peso de Montevidéu, juntamente com os uruguaios que vivem no Brasil e na Argentina e que foram ao Uruguai votar, garantiram a eleição para Frente Amplia com certa tranqüilidade. A capital do país representa 43% da população uruguaia.

Este resultado demonstra o desgaste dos partido tradicionais que juntos, Partido Blanco e Colorado se uniram no segundo turno, não conseguiram derrotar o guerrilheiro ex-Tupamaro. Mujica dará sequencia ao governo do sucessor de mesmo partido, Tabaré Vaquez.








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