Movimentos sociais interrogam Segurança Pública sobre mortes em favelas

5 11 2009

Entidades querem informações sobre mais de 40 mortes ocorridas em comunidades desde a queda de um helicóptero da PM, em outubro

ato2 gustavo mehl

foto por Gustavo Mehl

Por Paula Máiran

Dezenas de cruzes com interrogações plantadas em pequenos vasos de terra foram instaladas ao meio-dia desta quinta-feira (5/11) na Central do Brasil, bem em frente à entrada da Secretaria de Segurança Pública estadual. O ato simbólico antecedeu a entrega de um manifesto assinado por 68 organizações e movimentos de Direitos Humanos que foi entregue ao secretário de Segurança Pública interino, o subsecretário de Inteligência Rivaldo Barbosa, com a cobrança da prestação oficial de contas sobre a quantidade e a identidade dos mortos nas operações policiais em favelas desde o sábado 17/10. Nessa data houve a explosão de um helicóptero da Polícia Militar no Morro dos Macacos, na Tijuca, Zona Norte, com a morte de três tripulantes, durante intervenção policial em disputa entre quadrilhas do tráfico de drogas.

ato 4 jackson anastácio

foto por Jackson Anastácio

Desde então, em 19 dias, houve mais de 40 mortes em um período de intensificação da rotina de operações policiais realizadas em favelas. Mas o Estado ainda não informou à população sobre a quantidade exata de vítimas e a identidade dos mortos.

“Que política de segurança é essa que entra nas comunidades, produz tantas mortes e não esclarece quem são ou quantas são as vítimas?”, questionou a advogada Fernanda Vieira, da Mariana Criola, uma das organizações de Direitos Humanos envolvidas no ato, que reuniu cerca de 100 pessoas. “Cobrar explicações é um direito da sociedade e apresentar respostas um dever do Estado”, disse ainda, diante das contradições entre os números oficiais apresentados até agora e os divulgados pela imprensa.

O manifesto entregue ao secretário interino, porque o titular está em Brasília, traduz a posição dos movimentos sociais contra a política de segurança pública pautada pela criminalização da pobreza e o extermínio da população das favelas. O subsecretário Rivaldo assumiu o compromisso de providenciar a resposta às questões propostas pelos movimentos sociais. “Nosso manifesto é contra essa lógica de segurança pública que não tem apresentado efeito prático, já que a violência só tem aumentado”, explicou
Rafael Dias, pesquisador da Justiça Global, uma das entidades organizadoras do ato.

ato3 jackson anastácio

foto por Jackson Anastácio

“É bom para o Rio de Janeiro que a sociedade civil se organize para o debate sobre a segurança pública. Uma sociedade segura não é a que tem muita polícia, muitas mortes e muitos conflitos. O Rio de Janeiro precisa de uma alternativa e é possível termos uma outra polícia e uma outra política de segurança. O governo não pode temer esse diálogo com a sociedade civil”, disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), cujo mandato apoiou o ato-manifesto.

Anúncios

Ações

Information

4 responses

6 11 2009
Cada um no seu quadrado. Ou seria cada um no seu círculo? « Revista Vírus Planetário

[…] tudo o que está errado no círculo vicioso da segurança pública desde meados da década de 80. (“Desde a queda do helicóptero da PM, em 19 dias, houve mais de 40 mortes em um período de i…. Círculo que, acelerado nos últimos anos, vem atingindo seu auge no governo Cabral no tocante ao […]

10 11 2009
Cada um no seu quadrado. Ou seria cada um no seu círculo? « MCs Junior e Leonardo

[…] tudo o que está errado no círculo vicioso da segurança pública desde meados da década de 80. (“Desde a queda do helicóptero da PM, em 19 dias, houve mais de 40 mortes em um período de i…. Círculo que, acelerado nos últimos anos, vem atingindo seu auge no governo Cabral no tocante ao […]

13 12 2010
Cada um no seu quadrado. Ou seria cada um no seu círculo? « Instituto Zequinha Barreto

[…] tudo o que está errado no círculo vicioso da segurança pública desde meados da década de 80. (“Desde a queda do helicóptero da PM, em 19 dias, houve mais de 40 mortes em um período de inten…. Círculo que, acelerado nos últimos anos, vem atingindo seu auge no governo Cabral no tocante ao […]

13 12 2010
Cada um no seu quadrado. Ou seria cada um no seu círculo? « Solidariedade Socialista's

[…] tudo o que está errado no círculo vicioso da segurança pública desde meados da década de 80. (“Desde a queda do helicóptero da PM, em 19 dias, houve mais de 40 mortes em um período de inten…. Círculo que, acelerado nos últimos anos, vem atingindo seu auge no governo Cabral no tocante ao […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: