Motoristas de ônibus enfrentam criminalização da greve

16 04 2010

Processos, demissões, gás de pimenta e violência policial marcam greve dos rodoviários do Rio de Janeiro

Na madrugada da última segunda-feira, motoristas e cobradores de ônibus de algumas empresas que atendem à zona oeste decidiram iniciar uma greve. As principais reivindicações dos trabalhadores são: aumento de salário, já que o reajuste recentemente aprovado não está de acordo com o solicitado pela categoria; contabilização de horas extras; reconquista de alguns benefícios perdidos ao longo da década; e melhores condições de trabalho, o que parece ser hoje a principal preocupação dos motoristas. Com o aumento expressivo do número de microônibus, os motoristas passaram a acumular também a função de cobrador. Essa situação tem causado sérios transtornos no cotidiano desses trabalhadores e dos passageiros, muitos acidentes aconteceram, alguns com mortes, e pouco tem se falado sobre isso. Além do acúmulo do trabalho dobrado, o motorista-cobrador é obrigado a conviver com péssimos salários, a falta de paciência dos passageiros com o péssimo serviço de transporte público do Rio de Janeiro e o excesso de trabalho.

A greve veio como uma forma de chamar atenção da população para os problemas dos transportes coletivos na cidade, que envolvem também as péssimas condições de trabalho dos motoristas e cobradores. No entanto, os grevistas tem enfrentado uma forte criminalização do movimento. Durante as manifestações nas garagens das empresas, os trabalhadores foram fortemente reprimidos pela polícia militar. De segunda-feira até hoje, o saldo foi de sete pessoas detidas, alguns feridos por cassetetes, pelo spray e de pimenta e pelas bombas de efeito moral utilizados pela polícia, e muita repressão. Segundo os motoristas que aderiram a greve, um coronel jogou bombas na multidão na garagem da empresa Pégaso. Além da coerção policial, os motoristas e cobradores enfrentam o risco de demissões e processos por parte da Associação dos Passageiros do Rio de Janeiro.

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One response

18 04 2010
Julio

Galera da Virus

O problema não é a ação da Policia em si, que apenas cumpre ordens de instâncias políticas superiores. A mídia tem papel preponderante, expondo as greves como um ato de vagabundagem e baderna, dizendo que a população foi prejudicada e ponto final. Há os interesses dos rodoviários, que foram descaradamente ignorados por toda a grande mídia. Isso foi muito pior que as porradas da PM.

http://oolharcidadao.wordpress.com/2010/04/14/editorial-%E2%80%93-por-julio-benck/

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