Décima edição da Revista Vírus Planetário lançada!

13 06 2011

Já está nas bancas mais uma edição da revista Vírus Planetário, publicação independente e contra-hegemônica. Criada em maio de 2008, a revista chega a sua décima edição, ao mesmo tempo em que completa três anos de existência. A décima edição representa um marco na história da revista, que já enfrentou grandes desafios, mas ainda tem muito a conquistar. Daqui em diante, se espera que a Vírus Planetário continue desempenhando seu papel na organização de uma sociedade mais justa e democrática durante muitos anos.

Neste número, trazemos reportagens sobre os riscos relacionados ao uso de energia nuclear no Brasil, acompanhada da entrevista com um dos maiores intelectuais marxistas da atualidade, Michael Löwy.

Na Entrevista Inclusiva, Claudia Santiago e Vitto Giannotti falam do monopólio da mídia no Brasil, as experiências em comunicação na América Latina e sobre o Núcleo Piratininga de Comunicação, fundado por eles em 1992. Outra entrevista marcante presente nesta edição é a do jogador de futebol Petkovic, que fala sobre política, educação e até futebol.

Em nossa 10ª edição, trazemos também uma resenha sobre o tão falado filme “Rio”, uma reflexão sobre a morte de Osama Bin Laden, as indicações e contraindicações da Bula Cultural, e muito mais!

A revista está à venda em diversos pontos do Rio de Janeiro, para conferir onde comprar, clique aqui. Por apenas 2 reais, você pode fortalecer a imprensa alternativa e democratização da comunicação. Para comprar por encomenda ou uma cota, envie um email para virusplanetario@gmail.com





Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e Rede pela reforma da Lei de Direito Autoral realizam debate no Rio de Janeiro

4 06 2010

A lei 9.610, atualmente em vigor no Brasil, foi criada em 1998 e passa agora pela primeira revisão significativa. Desde 2007 o Mistério da Cultura vem realizando debates com a ampla participação dos interessados para discutir uma proposta de reforma. Um anteprojeto de lei deverá ser submetido à consulta pública em breve. Diante desse contexto, é preciso aprofundar o conhecimento sobre a Lei de direito autoral para que seja possível avaliar quais pontos devem ser abrangidos na reforma.

A Rede pela Reforma do Direito autoral, composta por mais de 20 entidades da sociedade civil, realiza nesta quarta (09/06) um seminário na FGV. Veja aqui a programação e como se inscrever.





Abertas as inscrições para a 3ª Mostra Luta!

31 05 2010

Até o dia 15 de julho podem ser feitas inscrições de trabalhos para a terceira edição da Mostra Luta!. Além de vídeos, neste ano podem ser inscritos quadrinhos, poesias e fotografias. O evento é organizado pelo Coletivo de Comunicadores Populares e propõe a divulgação das lutas contra a exploração e a opressão capitalista, contra a concentração de renda e terra, contra o monopólio dos meios de comunicação, contra a progressiva perda de direitos e contra a criminalização dos que buscam lutar por esses direitos. Ou seja: mostrar tudo aquilo que não é divulgado pelos meios de comunicação comerciais.

A 3ª Mostra ocorrerá de 18 a 26 de setembro em Campinas (SP), e de forma itinerante em outras cidades do Brasil. Saiba mais sobre a mostra e como se inscrever em http://mostraluta.org





Nono Poemação, sarau em homenagem aos trabalhadores.

5 05 2010

Cerca de 60 pessoas participaram do evento

O sarau acontece todas primeiras terças-feiras do mês, no auditório do segundo andar da Biblioteca Nacional de Brasília. Realizado pelos poetas Jorge Amâncio, Marcos Freitas e convidados, o evento tem como objetivo promover cultura e divulgar a poesia brasiliense.

Ontem, 4 de maio , o Poemação homenageou os trabalhadores com dez poemas de quatro poetas notáveis: Antonio Miranda, Bertold Brecht, Cora Coralina e Ferreira Gullar. As poesias foram declamadas pelos coordenadores do projeto, Amâncio e Freitas. Os versos eram sobre os vários tipos de empregos possíveis e como o trabalhador os realizava com afinco, às vezes até perdendo a dignidade, estrofes que deixaram a platéia encantada e emocionada.

Antonio Miranda declarou que o projeto da II Bienal Internacional de Poesia de Brasília foi aprovado pelo o governo, II BIP pretende focar a poesia em diálogo e interação com as demais artes. Miranda disse que por meio de acordos com as embaixadas será possível trazer poetas de diversos países, alguns já até confirmaram a presença no evento que está previsto para acontecer em setembro de 2010.

Depois da homenagem ao primeiro de maio, subiram ao palco poetas de distintas vertentes, mas com um mesmo objetivo: poetizar a vida.

Vinicius Borba e Diogo Ramalho, do grupo Radicais Livres

Os primeiros a falarem sobre o seu trabalho foram mãe e filho, Isolda e Gabriel Marinho. Isolda escreve desde os 14 anos, é professora de português e funcionária da Biblioteca. Seu filho, Gabriel, tem apenas 20 anos e dois romances publicados. Quando questionado sobre o seu publico alvo, Gabriel diz: “Escrevo pra quem gosta de ler”. Já  Isolda acredita que a receita da felicidade é “viver a poesia de cada dia”.

Deliane Leite é professora de português e se apresentou juntamente com Letícia Fialho. As duas fizeram uma citação da música Roxanne, misturando rock e poesia.  A musicalidade poética contribuiu para os poemas cantados de Alen Guimarães, que se denomina como ” O poeta dos ventos”. Guimarães é jornalista e não declama, mas canta suas estrofes.

O sarau contou com a presença de um trio vindo diretamente de São Sebastião, os integrantes do projeto Radicais Livres S/A, que coordenou a parte poética do evento Brasília outros 50 na Funarte.  Diogo Ramalho, Thiago Alexander e Vinícius Borba expuseram um pouco do que é produzido dentro do projeto que desenvolve cultura a partir do talento de escritores, atores, cineastas e artistas em geral.

Jairo Mozart, animando o público

A jornalista Amneres Santiago fala através dos versos do seu amor por Brasília, e frisa a importância de eventos como a II BIP para o desenvolvimento da poesia brasiliense.

Encerrando o evento, Jairo Mozart e seu violão trouxeram a poesia de cordel ao sarau. Vicent Sá  e João Roberto, mais conhecido como Joãozinho da vila mostraram a irreverência e a complexidade dos poemas curtos, enquanto  Sérgio Duboc cantava versos sobre a Asa Norte.

Além da platéia comum, o evento contou também com a presença de índios que demonstraram um pouco da sua cultura através da música.

Por Babi Cabral. Fotos: Thiago Vilela.





As muitas faces de uma cidade

24 04 2010

texto por Adriana Facina (antropóloga, professora de História na UFF e coordenadora do Observatório da Indústria Cultural – Oicult)  / Fotos por Ratão Diniz

Quando vi o documentário “As Muitas Faces de Uma Cidade”, de Danilo Georges e Mano Zeu, pela primeira vez na semana passada, na cópia que eles me enviaram pelo correio, eu estava sem luz em casa, ilhada, mas ainda sem saber exatamente o que havia acontecido em minha cidade, Niterói. A bateria do computador acabou antes do fim do filme e tive de esperar até o dia seguinte para terminar de assisti-lo. Quando a luz voltou, enquanto eu ouvia as notícias sobre os mortos e desabrigados na televisão, via na tela do computador o trecho em que eram mostradas as enchentes e as pessoas que perdiam tudo nas periferias de Foz do Iguaçu. As mesmas histórias em cenários diferentes. Um desespero me invadiu a princípio, um sentimento de revolta impotente, uma raiva.

Assista ao trailer do documentário:

grafite na Rocinha retratando a história da favela. Foto por Ratão Diniz

Mas, após desespero, me veio uma ponta de esperança de que essas semelhanças possam ser a raiz para a construção de um novo mundo a ser erguido pelos oprimidos, pelos pobres, pretos, favelados, com sua força de sempre resistir e reconstruir, sua cultura, sua fé na vida. Aliás, se tem uma coisa que é tipicamente favelada é a fé na vida, que vem daquela certeza que se adquire quando se sobrevive a um sofrimento muito grande: eu sobrevivo, “já passei por quase tudo nessa vida”, como diria Zeca Pagodinho e, por isso, não tenho medo de “deixar a vida me levar”.

Crianças brincam de plantar bananeira. Foto por Ratão Diniz

No Rio, a reação imediata das autoridades públicas foi culpabilizar os pobres. Usando a desgraça alheia para impor a agenda das remoções almejadas pela especulação imobiliária, o prefeito Eduardo Paes lançou decreto permitindo o uso de força policial para remover moradores de áreas de risco, o que abrange quase toda a cidade. Anunciou ainda a remoção imediata de uma das favelas mais tradicionais da cidade, o Morro dos Prazeres, localizado em região de grande valor imobiliário, e de mais uma dezena de outras a curto prazo. O governador Sérgio Cabral, o mesmo que acusou as mães da favela da Rocinha de serem fábricas de marginais, disse que as pessoas tem de se convencer a não construir moradias nas encostas e ainda culpou aqueles que foram contra os muros que ele mandou erguer para cercar as favelas e impedir sua expansão.

mutirão de Grafite realizado na favela da Divisa, dia 20 de novembro. Costa Barros, Rio de Janeiro, RJ. Alguém se arrisca a dizer que a arte da favela grafite não é arte?. Foto por Ratão Diniz

Na minha cidade, onde até o momento foram encontrados mais de 150 corpos e há milhares de desabrigados, o prefeito e seu secretário de obras, fiéis escudeiros de uma especulação imobiliária irrefreada que há anos vem depredando a cidade, também apontaram seus dedos em direção daqueles que morreram ou perderam tudo: suas casas, seus documentos, seus entes queridos, sua história.

criança no morro do alemão. Foto por Ratão DinizTalvez o impacto dessa reação daqueles que deveriam ser os primeiros a demonstrarem sua solidariedade às vítimas seja tão profundo e de longo prazo quanto as mortes e toda a devastação que suas sucessivas administrações causaram. Isso porque suas declarações explicitaram e legitimaram algo que vinha se impondo na surdina e sem alarde e, agora, com a máscara de um cinismo que há muito não se via: a imposição de um modelo de cidade que não considera a favela como território cidadão. Mal a ser extirpado ou empurrado para fora do mapa das áreas interessantes para a especulação imobiliária, a favela volta a ser alvo das antigas políticas de remoção que desconsideram algo que o documentário afirma, bem como a cultura que brota desses territórios: Favela é cidade!

Como diz a música do Rappa, o Rio de Janeiro todo é uma favela. Podemos dizer que o Brasil todo é uma favela e, em breve tempo, na visão de Mike Davis, autor do livro Planeta Favela, a maior parte da população mundial será formada por favelados.

Além de um crime contra os direitos humanos, um absurdo constitucional, um abuso de poder político e econômico, a remoção é também um atentado cultural. Como o documentário prova, as favelas e perferias são, e não é de hoje, os locais de onde surgem manifestações culturais potentes e que traduzem na forma de arte experiências coletivas de vida, de resistência, de formas de organização social, de valores como a solidariedade (que se expressa, por ex., nos mutirões. Agora mesmo na tragédia, os bombeiros reconhecem que a atuação dos moradores na remoção das vítimas dos deslizamentos de terra foi fundamental). Da favela nasce o samba, o hip hop, o funk, o grafite, o reggae, o break. Na favela se abrigou o jongo, bem como todos os batuques negros perseguidos secularmente e que assim chegaram ao século XXI. As favelas pulsam, fervilham, cheias de vida gerada por aqueles que vivem todo o tempo sob ameaça: seja da polícia, do descaso dos governantes, de políticas públicas que vêm essas áreas como laboratórios para o urbanismo, para a segurança pública etc. Favela é cultura!

LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA. CLIQUE AQUI





Cinema Voador – 50 anos de brasília

21 04 2010

Fala galera!
Inaugurando aqui no blog a sessão “Brasília 50 anos” (saiba mais clicando aqui), nosso repórter Thiago Dutra Vilela esteve na abertura do espaço “Cinema Voador”, que hoje contou com a presença ilustre do cineasta Vladimir Carvalho.

Brasília – Num bater rápido de asas, o Cinema Voador alçou vôo, às 21horas, destacando-se dentre os demais eventos da festa “Brasília outros 50”. O ônibus, apelidado de Cinematógrafo Voador, possui um telão de aproximadamente 11x7metros, usado para as exibições de filmes.

Para inaugurar os quatro dias de evento, foi organizada uma grande homenagem ao cineasta Vladimir Carvalho, grande nome do cinema brasiliense. Cerca de 50 pessoas, atentas a tudo o que acontecia, amigos e convidados fizeram saudações ao artista, para logo em seguida assistirem ao filme “Conterrâneos velhos de guerra (Brasil, 1990) Cor/35mm/168min”

Emocionado, Vladimir dedicou a homenagem para todas as pessoas que o ajudaram durante sua carreira:

“De uma coisa estou certo, é com muita humildade que recebo esta homenagem. Homenagem esta que poderia ser estendida a todo o cinema brasileiro. E digo humildade porque eu nunca teria feito nada sem a colaboração de estudantes, trabalhadores, professores e ao povo da periferia, que me recebia e contavam suas impressões. Essas pessoas humildes, essas sim, que deveriam estar sendo homenageadas. Fico feliz, emocionado, recebo essa homenagem, mas a recebo e dedico a todas essas pessoas humildes.”

O cineasta falou também sobre a importância do Brasília outros 50 e criticou a comemoração organizada pelo GDF:

“(Este evento) é muito importante, porque é uma iniciativa dos artistas da cidade, pessoas que estão livres para pensar os 50 anos de brasília. Principalmente porque é um período de crise, e não estamos de acordo com toda essa corrupção, com tudo isso. É por isso que esse evento é essencial. (Sobre as comemorações do GDF), a gente já esperava todo esse oficialismo, sempre deturpado, e que não tem nada haver com a cultura brasiliense – que foi aleijada da programação. As pessoas que estão na administração deveriam ter se tocado e feito uma programação à altura dos 50 anos da cidade.“

Finalizando, Vladimir convocou toda a população a organizar um ato simbólico para enterrar, literalmente, os “anos sinistros” de Brasília:

“Vamos fazer uma incursão ao Cerrado, cavar uma vala e enterrar esses anos sinistros de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, porque Brasília merece outros 50”.





Homenagem Criminosa??

1 03 2010

No dia 10 de fevereiro, ocorreu o prêmio de cultura do Estado do Rio de Janeiro que homenageou entre outros o funk carioca. Sérgio Cabral pai achou um absurdo, pois considera o funk algo americano.

Leia abaixo o texto de Mc Leonardo rebatendo as críticas de Sérgio Cabral. Leonardo é presidente da APAFunk (Associação dos Profissionais e Amigos do Funk), cuja trajetória é narrada na reportagem de capa da nossa sexta edição (para baixá-la, clique AQUI). O Mc também foi nossa entrevista Inclusiva da terceira edição (para fazer o download, clique AQUI)

HOMENAGEM CRIMINOSA??

Mc Leonardo na entrevista Inclusiva da revista Vírus Planetário (setembro de 2008)

No dia 10 de fevereiro último aconteceu, no Teatro João Caetano, o Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

O prêmio foi dedicado a Augusto Boal e homenageou Fernanda Montenegro, Heitor Vila Lobos e, acreditem se quiser, o Funk Carioca.

Corajosamente, a Secretária de Cultura, Adriana Rattes, e a Presidente do Conselho Estadual de Cultural, Ana Arruda Callado, reconheceram as vitórias recentes que o Funk Carioca conquistou na política, tendo sido reconhecido por lei como movimento cultural e resolveram homenageá-lo.

Como era de se esperar, muita gente criticou, dizendo ser um absurdo o Funk Carioca ser homenageado em meio a pessoas de tanta importância para a cultura brasileira e blá, blá, blá…

Mc Junior, Mc Buchecha e Mc Sapão se apresentando no prêmio de cultura, no palco do teatro João Caetano

Mas foi do pai do governador do Rio que saiu a mais polêmica crítica: “Homenagear o Funk como cultura carioca é um crime com o Rio de Janeiro, pois o Funk é Americano”.

Pergunto ao Sergio Cabral (pai): Seria o Funk Americano, mesmo? Ou ele seria parte do que a diáspora Africana espalhou pelo mundo? Como é o caso de vários segmentos musicais, inclusive o samba tanto pesquisado pelo senhor.

O que se produz de Funk no Rio de Janeiro é chamado mundo a fora de “Música eletrônica Brasileira”; as melodias dos Raps e do Funk Carioca não têm influência alguma de Marvin Gaye ou James Brown.

Somos melodicamente muito mais influenciados pelo Samba, Cirandas de Roda, Macumba, Roda de Capoeira, Coco de Embolada e tantas outras influências musicais que estão mais próximas do que a nossa gente ouviu dentro das favelas do que qualquer coisa que venha de fora.

Temos que lembrar que a Bossa Nova foi criticada por alguns por fazer um “som gringo” e dizer ser Brasileira.

Que a Jovem Guarda nasceu do Rock que se fazia lá fora.

Que o Tropicalismo sofreu por conta de ser tão novo pros ouvidos brasileiros e ter conseguido um reconhecimento significativo na nossa música quase 15 anos após ter sido extinto.

Que o Forró surgiu de uma festa Européia.

E o Samba nem é preciso lembrar aqui, pois foi o que mais sofreu pra se desenvolver dentro do quadro de música popular Brasileira.

Sérgio Cabral pai

A Marchinha de carnaval, que é pra muitos a raiz mais importante na música popular do Rio de Janeiro e também foi pesquisada minuciosamente pelo Senhor Sergio Cabral, é na verdade o resultado da metamorfose de uma Marcha Portuguesa, e nem por isso nós vamos desnacionalizar a nossa Marchinha.

Tenho visto tanta gente falar com pré-conceito a respeito do Funk, que nem respondo mais, mas sei que não é o caso do jornalista e escritor Sergio Cabral, que conhece o Rio como poucos e que deu uma importante contribuição pra união cultural dessa cidade.

O que há é uma desinformação por parte dele, e estarei sempre à disposição pra informar e debater sobre o assunto.

“Viva o Funk Carioca, viva a cultura em geral, viva Heitor, viva Fernanda e viva Augusto Boal!”

“TAMUJUNTO” e misturado!

(*) Mc Leonardo é cantor e compositor. Atualmente preside da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk).