Sétima edição da Vírus Planetário

7 08 2010

Finalmente, lançamos a sétima edição da revista Vírus Planetário. Tivemos diversos problemas, que já estão sendo solucionados, e nos reestruturamos e caminhamos para manter nossa periodicidade. Pedimos desculpas pelo longo intervalo sem Vírus, mas a partir de hoje estaremos em dia com você, leitor, seja nas edições da revista, seja nas atualizações do site.

Convite à surpresa

Nessa edição, trazemos duas entrevistas inusitadas para uma revista de esquerda. Jean Wyllys e ForFun. O jornalista e o grupo de rock que tiveram uma imagem consolidada como pessoas pops, vazias e sem opinião, provam que mais uma vez a imprensa grande ajuda a formar conceitos distorcidos. Além disso, também estreamos nossa seção feita pela equipe de Brasília com reportagem sobre a especulação imobiliária no Noroeste da capital federal. Tema também debatido pela reportagem sobre a tragédia das chuvas do estado do Rio, dois meses após as enchentes, trouxemos a situação em que os moradores das favelas atingidas se encontram e o debate sobre planejamento urbano e segregação
sócio-espacial.
Tudo isso e mais artigos, humor, charges e conteúdo contra-hegemônico, você encontra na sétima edição da Vírus Planetário.

Tá esperando o quê? Baixe AQUI ou visualize aqui a sétima edição digital. Não deixe de comprar seu exemplar a 2 reais nos locais de venda e apoiar a Vírus. Você confere aqui onde pode comprar seu exemplar impresso.

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Mais um muro para esconder pobre na Maré

20 05 2010

Alegando criar “barreiras acústicas” para proteger comunidades do som dos carros, Prefeitura está construindo um muro nas rodovias que cercam o Complexo da Maré

Foto: Renata Souza

“O que você faria com R$ 20 milhões?”. Assim começa um vídeo produzido por jovens moradores do Complexo da Maré. À pergunta, seguem respostas de habitantes das 16 favelas do complexo, defendendo investimento nas mais diversas demandas da região, uma das mais pobres do Rio de Janeiro. Infra-estrutura, restauração ambiental, esporte, educação. São muitas as necessidades do bairro.

No entanto, esses milhões de reais estariam sendo gastos na construção de muros para cercar por todos os lados as comunidades. Chamado na região de “Muro da Vergonha”, ele está sendo levantado desde novembro, em parceria com a Lamsa, empresa que administra a Linha Amarela (rodovia do Rio de Janeiro). A Linha Vermelha também está recebendo as obras. Cerca de 520 mil veículos circulam diariamente pelas vias.

O governo municipal chama os 7,6 quilômetros de muro a ser construídos de “barreiras acústicas”. Módulos de 38 metros de comprimento por três de altura já estão sendo instalados. A Prefeitura afirma que o objetivo principal é proteger as favelas do barulho dos carros. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) chegou a afirmar que era um absurdo “apenas a classe média ter barreiras acústicas”, sem explicar onde elas existem.

Contudo, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, chegou a referir-se ao projeto como política pública de combate à violência e admitiu ter pedido ao prefeito a implantação do muro na Linha Vermelha. No vídeo – produzido pelo engajado bloco carnavalesco Se Benze Que Dá –, chama a atenção o momento em que um morador cai na gargalhada ao saber que o muro é denominado de barreira acústica.

No dia 8, os moradores da Maré fizeram um ato de repúdio à construção do muro. Organizado pelo Se Benze Que Dá, reuniu cerca de 400 pessoas na praça principal da favela Nova Holanda. Após um show dos músicos da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk) e da exibição do vídeo, os moradores discursaram. “A favela tem que ser vista como parte da cidade. Não tem porque segregar”, disse Gizele Martins, editora do principal jornal mareense, O Cidadão. Renata Souza, do mesmo jornal, pregou a união dos meios de comunicação do Complexo no enfrentamento do problema.

Os moradores alegam não terem sido ouvidos para a instalação do muro. Teriam recebido a notícia pela imprensa. Entretanto, recentemente, a prefeitura e a Lamsa chegaram a conversar com algumas associações de moradores do complexo de favelas. “A Lamsa trouxe outro discurso às comunidades. Em troca da construção do muro, prometeram investir em atividades culturais na Maré por dez anos. Quem quiser pode inscrever projeto que ganha dinheiro. Então, dizem que a população apoia, mas na verdade a população foi comprada”, denuncia Jandra Nobre, fundadora do Se Benze Que Dá. Existem mais de cem ONGs em atividade na Maré.

CLIQUE AQUI e leia a matéria completa no site do Brasil de Fato.





Lançado na Alerj dossiê dos impactos e violações da Vale no mundo

19 04 2010

Na última quinta-feira (15), a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) recebeu mais de cem ativistas dos cinco continentes. Em audiência pública lotada, foi lançado o “Dossiê dos impactos e violações da Vale no Mundo”. A ação faz parte do I Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, que ocorre no Rio de Janeiro desde segunda-feira (12). Sentados nas cadeiras, no chão e do lado externo, os participantes ouviram denúncias contra a empresa, por parte de trabalhadores de diversos países. Canadá, Nova Caledônia, Peru e Moçambique, por exemplo, intercalaram denúncias com as caravanas de estados brasileiros.

“Eles roubaram nossa terra, lançaram veneno em nosso ar, e poluíram nossa água”, protestou James Wester, do Canadá. O país trouxe uma delegação para o encontro. No Canadá, três unidades da Vale-Inco estão em greve, duas delas há nove meses completados essa semana. “Moçambique é um país que precisa muito de desenvolvimento. A Vale chega prometendo um monte de coisa. A população aceita muito fácil. Eles nao cumpriram nada, não pagaram pela terra, e estão hoje presentes em todo o estado moçambicano”, disse Jeremias, trabalhador da Vale Moçambique.

“Não sei se vocês dimensionam o que está acontecendo aqui. O imperialismo brasileiro está nascendo. As empresas brasileiras se voltam para explorar força de trabalho em outros países”, afirmou a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Virginia Fontes. Para Virgínia, a teoria geopolítica de Ruy Mauro Marini, que nos anos 1970 falava do subimperialismo brasileiro, não cabe mais no contexto atual. Agora, mesmo priorizando produtos primários, o Brasil já participa do controle hegemônico capitalista.

“O Estado brasileiro tem seu papel, um jeito novo, muito sutil, de manter as privatizações. O grande financiador de fusões e incorporações no Brasil é o BNDES. No último ano, o país foi onde mais se teve fusões no mundo, 25% do total”, disse o deputado federal Chico Alencar (PSOL/RJ). Também esteve presente os deputados estaduais Paulo Ramos (PDT/RJ) e Marcelo Freixo (PSOL/RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, que coordenou a mesa.

Após a audiência, os manifestantes seguiram a pé até a sede da Vale. Os 150 ativistas que vieram ao Rio de Janeiro, sede da empresa, somaram-se a outros militantes e, em fila, marcharam pelo Centro da cidade. Em frente à Vale, um bolo foi cortado e servido a funcionários da empresa, representando, simbolicamente, os nove meses de greve dos canadenses. Discursos inflamados seguiram-se por toda parte. A direção da empresa não se manifestou.

Carta internacional

Representantes das organizações e movimentos sociais que participaram, entre os dias 12 e 15 de abril deste ano, do I Encontro Internacional de Populações, Comunidades, Trabalhadores e Trabalhadoras atingidos pela política agressiva e predatória da companhia Vale, realizado no Rio de Janeiro, divulgaram no último dia 16 uma carta internacional com as constatações, depoimentos e denúncias recebidas durante o evento.

“A vida das comunidades, dos trabalhadores e trabalhadoras e de todo o planeta deve estar acima do lucro desenfreado das grandes empresas transnacionais. Atrás de uma falsa imagem verde e amarela, a Vale destrói e mata ecossistemas e comunidades inteiras. Estamos aqui porque acreditamos na vida e no bem viver. Estamos aqui porque resistimos. Estamos aqui porque os bens da natureza devem estar nas mãos dos povos. Estamos aqui porque acreditamos na humanidade e na sua capacidade de luta”, destaca o texto da carta.

A carta pode ser lida na íntegra em http://www.forumcarajas.org.br.





Motoristas de ônibus enfrentam criminalização da greve

16 04 2010

Processos, demissões, gás de pimenta e violência policial marcam greve dos rodoviários do Rio de Janeiro

Na madrugada da última segunda-feira, motoristas e cobradores de ônibus de algumas empresas que atendem à zona oeste decidiram iniciar uma greve. As principais reivindicações dos trabalhadores são: aumento de salário, já que o reajuste recentemente aprovado não está de acordo com o solicitado pela categoria; contabilização de horas extras; reconquista de alguns benefícios perdidos ao longo da década; e melhores condições de trabalho, o que parece ser hoje a principal preocupação dos motoristas. Com o aumento expressivo do número de microônibus, os motoristas passaram a acumular também a função de cobrador. Essa situação tem causado sérios transtornos no cotidiano desses trabalhadores e dos passageiros, muitos acidentes aconteceram, alguns com mortes, e pouco tem se falado sobre isso. Além do acúmulo do trabalho dobrado, o motorista-cobrador é obrigado a conviver com péssimos salários, a falta de paciência dos passageiros com o péssimo serviço de transporte público do Rio de Janeiro e o excesso de trabalho.

A greve veio como uma forma de chamar atenção da população para os problemas dos transportes coletivos na cidade, que envolvem também as péssimas condições de trabalho dos motoristas e cobradores. No entanto, os grevistas tem enfrentado uma forte criminalização do movimento. Durante as manifestações nas garagens das empresas, os trabalhadores foram fortemente reprimidos pela polícia militar. De segunda-feira até hoje, o saldo foi de sete pessoas detidas, alguns feridos por cassetetes, pelo spray e de pimenta e pelas bombas de efeito moral utilizados pela polícia, e muita repressão. Segundo os motoristas que aderiram a greve, um coronel jogou bombas na multidão na garagem da empresa Pégaso. Além da coerção policial, os motoristas e cobradores enfrentam o risco de demissões e processos por parte da Associação dos Passageiros do Rio de Janeiro.





Tragédia? Não para o capital e seus cínicos representantes

10 04 2010

Por Marcelo Badaró, orginalmente publicado no Fazendo Media

Moro entre Niterói e Santa Teresa e escrevo quando muitos de meus vizinhos nos dois locais não tem mais onde morar, depois de três dias de chuvas que castigam o Grande Rio. Muitos outros não sobreviveram. Somente no Morro do Bumba, em Niterói, a estimativa é de que 200 pessoas possam ter morrido soterradas.

Estimativas, não dados precisos, porque aquelas pessoas que moravam na encosta de um antigo aterro sanitário são realmente tratadas pelo Estado como resíduos urbanos. Não há cadastramento da área para precisar o número de casas e pessoas atingidas. Mas o prefeito da cidade, o Sr. Jorge Roberto da Silveira (PDT), afirmou na véspera desse desabamento, quando o número de vítimas em Niterói já ultrapassava 60 pessoas, que o número de casas em áreas de risco na cidade era muito pequeno para justificar obras de contenção de encostas muito caras, sendo mais barato remover os moradores dessas áreas. Nada a estranhar, partindo de um prefeito que tomou como prioridade asfaltar as ruas da Zona Sul (sem as devidas obras de drenagem) e construir torres panorâmicas, mas que destinou no Orçamento Municipal de 2010 apenas 50 mil reais para Obras de redução de risco a desabamentos e escorregamentos de encostas, quando gasta mais de 2 milhões por ano somente com o custeio de um Conselho Consultivo, no qual reduz os riscos de amigos e correligionários com uma polpuda sinecura, conforme denunciou o vereador Renatinho (PSOL).

Para os trabalhadores e trabalhadoras mais pauperizados, que só encontraram aquelas encostas para morar, a solução “mais barata” é a remoção. Nada se diz porém, das ocupações de outras encostas, tão ou mais irregulares e também sujeitas a deslizamentos de terra, como ocorreu na Estrada Fróes, área “nobre” para a especulação imobiliária da cidade, que há poucos anos conquistou concessões da Prefeitura para construir um imenso condomínio de mansões e prédios de luxo em local que deveria ser destinado à preservação ambiental.

Remoção! é, aliás, a palavra de ordem. O governador Sérgio Cabral (PMDB), ao lado do presidente Lula da Silva (PT) e com sua aprovação apressou-se a definir os responsáveis pelas mortes: os moradores das favelas cariocas, que teimam em construir em áreas de risco. Por isso, afirmou a correção de sua proposta de construção de muros “ecológicos” de contenção (complementados, é claro, pelas placas de “isolamento acústico”). Tais instrumentos, passo adiantado para converter favelas e áreas periféricas de guetos, que já são, em campos de concentração, para mais eficiência na ação dos caveirões e UPPs (todos “pacificadores”), agora são apresentados como solução para o problema das chuvas. Ao invés de urbanização das favelas, regularização do direito ao solo, construção de moradias decentes e contenção das encostas, a “contenção” das pessoas, pelos muros e armas. E se remoção é a solução, Cabral também anunciou que a Polícia Militar estava a disposição de todos os prefeitos para efetivar essa política.

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(*) Marcelo Badaró Mattos é professor de história da UFF.





Tornar o Luto uma luta

8 04 2010

A grande mídia, mesmo diante de uma catástrofe jamais vista, após a forte chuva de segunda-feira, culpa os próprios moradores dos morros atingidos em todo o Estado do Rio de Janeiro. A principal política dos governos estadual e municipais (cujo discurso de culpar os moradores de favela encontra eco na mídia grande) é reforçar o choque de ordem e só se preocupar em remover as famílias de suas casas, já que “o solo urbano é propriedade das prefeituras”. Crueldade sem fim e desfaçatez para não admitir a própria ganância e irreponsabilidade com a população. Trazemos aqui o relato de Daniel Nunes, professor do pré do Morro do Estado, na mais castigada cidade do estado pela inundação, Niterói. Estaremos com novas notícias a qualquer momento… Revista Vírus Planetário

Tragédia anunciada... E agora prefeito?

Niterói passa por uma situação calamitosa. Se por um lado setores da cidade sofrem com o grande inconveniente de situações como alagamentos, falta luz e imobilidade, o que já é grave, outras partes possuem milhares de desabrigados (até o momento são mais de 3 mil), centenas de feridos, dezenas de mortos. Além da enorme força da natureza, essa chuva exorbitante demonstrou a gravidade da situação social da cidade.

O socorro foi muito precário, sendo conduzido, durante muito tempo, pelos próprios moradores, e mesmo com a chegada dos bombeiros, a militância solidária da comunidade foi muito necessária. Acompanhei parte do resgate nesta terça-feira junto a Madureira e Tão, dois amigos, que acompanharam tudo desde o início enquanto moradores da favela e dirigentes da Associação de Moradores do Morro do Estado (AMME).

Só não enxerga quem não quer! Existe um abismo social na cidade, que fica ainda mais evidente em situações como as fortes chuvas.

O que os governantes têm dito sobre assunto? Quem mora em situação de risco, mora porque quer; quem mora em situação irregular, assim está por irresponsabilidade própria; os estragos são causados unicamente pela chuva além da média. Tudo mentira! As pessoas moram nesses lugares porque não têm condições de viver em outro lugar, não possuem condições de pagar.

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Ainda sobre os deslizamentos em Niterói, as lideranças comunitárias de favelas afetadas lançaram nota, que a Vírus Planetário assina embaixo:

Nota de esclarecimento

Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público.  A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas.  As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.

Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.

Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.

Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momento em que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que é perder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.

Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossa dor, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.

Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.

Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói

Associação de Moradores do Morro do Estado

Associação de Moradores do Morro da Chácara

SINDSPREV/RJ

SEPE – Niterói

SINTUFF

DCE-UFF

Mandato do vereador Renatinho (PSOL)

Mandato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL)

Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (APAFUNK)

Movimento Direito pra Quem

Coletivo do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares

Revista Vírus Planetário





Chuvas no Rio: nem tudo vale a pena

7 04 2010

Por Paulo Piramba

deslizamento atinge morro dos prazeres.

Os números realmente impressionam. Em menos de 12 horas choveu na cidade do Rio de Janeiro, e em parte de sua Região Metropolitana, o equivalente a dois meses de chuva. Uma média de 270mm, enquanto o índice normal para o mês de abril é de 140mm. Até o momento em que escrevo, já foram confirmadas pelo menos 95 mortes.

A causa mais imediata para esse extremo climático de gigantesca proporção é a combinação de uma frente fria, com o contraste entre o ar polar e o ar quente tropical, aliado à temperatura do mar, 2ºC mais quente do que o normal. Além disso, a maré alta contribuiu para que o alagamento das áreas urbanas do Rio, já muito impermeabilizadas, não escoasse.

veja o vídeo abaixo, mostrando a enchete em Barra de Guaritiba, zona oeste do Rio de Janeiro:

Além do triste saldo de mortes, quase todas provocadas por deslizamentos de encostas, o caos se instalou na cidade. O alagamento das vias impediu a passagem dos veículos, fazendo com que milhares de pessoas não chegassem em casa. Muitos dormiram na rua essa noite. Nessa terça-feira, a cidade vive um feriado forçado, já que escolas, universidades e poder judiciário suspenderam suas atividades. Mas muitos bancos, lojas e escritórios de grandes e pequenas empresas também não funcionam, já que seus empregados e clientes não têm como se locomover. As já normalmente ineficientes empresas privadas de fornecimento de energia contabilizam milhares de casas sem luz desde a noite de segunda.

O prefeito do Rio coloca a culpa do colapso da cidade “nas fortes chuvas, na maré alta, na ocupação irregular das encostas e nas pessoas que insistem em morar nelas”. Não deixa de alfinetar os “demagogos de plantão” que, segundo ele, “criticam os reassentamentos de moradores de áreas de risco”. E ainda dá “nota zero para o preparo da cidade para o temporal”.

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* Paulo Piramba, 55 anos, é membro da Rede Ecossocialista Internacional e do Instituto Búzios.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias