Sexta edição online disponível!

5 11 2009

páginas 2“O funk não é modismo, é uma necessidade. É pra calar os gemidos que existem nessa cidade” . MC Bob Rum – Rap do Silva.

Depois de uma longa pausa causada por uma reestruturação, a Vírus Planetário, está de volta! E é em ritmo de funk, gênero tão criminalizado e reprimido pelas elites (logicamente, que se for a versão da Adriana Calcanhoto para a música dos MCs Claudinho e Buchecha, o funk está permitido), que a sexta edição vem com tudo. Na reportagem especial, conheça um pouco mais sobre o funk e a APAFunk (Associação dos Profissionais e Amigos do Funk) que luta pelos direitos dos trabalhadores do Funk (MCs, DJs etc). Esta edição é dedicada ao funk e à APAFunk pelo exemplo que a Associação está dando em relação à organização popular.

páginas 1A entrevista Inclusiva é com Emanuel Cancela, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, que apresenta o outro projeto sobre o controle do petróleo brasileiro (do pré-sal ou não) que é ocultado, estrategicamente, pela imprensa grande. Emanuel convoca para que todos, independentemente de religião, classe social, convicção partidária participem da campanha “O petróleo tem que ser nosso!”, para que as riquezas nacionais fiquem com o povo brasileiro.

Não perca! Tudo isso e muito mais!

Para baixar, clique AQUI

Ou na parte “edições digitais” (onde estão todas as edições para download) disponível em cima e ao lado direito.

A versão impressa está disponível na banca Cardeal Leme da PUC-Rio, na Xerox do Itamar (UFRJ - campus Praia Vermelha) e na Livraria Dialética (Rua da Conceição, 26. Centro Niterói, em frente à estação das barcas).





Cada um no seu quadrado. Ou seria cada um no seu círculo?

6 11 2009

Por Caio Amorim

Charge+CabralHitler

“Comunidade que vive à vontade com mais liberdade tem mais pra colher. Pois alguns caminhos pra felicidade são paz, cultura e lazer. Comunidade que vive acuada, tomando porrada de todos os lados, fica mais longe da tal esperança, os menores vão crescendo todo revoltados. Não se combate crime organizado mandando blindado pra beco e viela, pois só vai gerar mais ira para aqueles que moram dentro da favela. Sou favelado e exijo respeito, são só meus direitos que eu peço aqui. Pé na porta sem mandado tem que ser condenado, não pode existir.(…) Mãe sem emprego, filho sem escola é o ciclo que rola naquele lugar. São milhares de história que no fim são as mesmas, podem reparar. Sinceramente, eu não tenho a saída de como devia tal ciclo parar. (…)o futuro da favela depende do fruto que tu for plantar. Tá tudo errado, errado e difícil explicar, mas do jeito que a coisa está indo já passou da hora do bicho pegar. (…) Tem gente plantando o mal, querendo colher o bem.” Tá tudo errado, por Mc Júnior e Leonardo.


O funk de Mc Junior e Leonardo (no vídeo acima Mc Leonardo canta a capela na audiência pública pelo funk do dia 26 de agosto na ALERJ) é a mais perfeita explicação para compreendermos as causas dos episódios de violência ocorridos no Rio de Janeiro. A música serviria para explicar não só os episódios violentos desencadeados pela queda do helicóptero da PM no morro dos Macacos , como tudo o que está errado no círculo vicioso da segurança pública desde meados da década de 80. (“Desde a queda do helicóptero da PM, em 19 dias, houve mais de 40 mortes em um período de intensificação da rotina de operações policiais realizadas em favelas” – clique aqui e confira reportagem de Paula Máiran sobre manifestação dos movimentos sociais contra o “revide” da segurança pública). Círculo que, acelerado nos últimos anos, vem atingindo seu auge no governo Cabral no tocante ao desrepeito do cidadão favelado, tratado como inimigo público pelo secretário estadual de segurança pública, José Mariano Beltrame. Entretanto, pouquíssimas pessoas conhecem essa música, principalmente se comparado com o número de indivíduos influenciados pela mídia de direita.

charge+PMO problema da segurança pública de extermínio ao povo pobre, negro e favelado está intimamente ligado à opinião pública e quais são os valores transmitidos por toda forma de mídia hegemônica, seja no jornalismo, publicidade e cinema. A maioria esmagadora da classe média e alta – que é ouvida e respeitada pelo poder público no Brasil – aprova com louvor a repressão às favelas como se fosse um território inimigo. A disputa por uma política de segurança pública que trate todos de maneira equivalente deve ser feita principalemente pela construção de uma mídia alternativa. Enquanto só tivermos Balanços gerais, RjTv’s, Meia-horas e Willians Wacks influenciando a opinião das pessoas, dificilmente teremos poder de pressão para mudar não só o que de há errado na política de segurança pública, como tudo que é injusto nesse mundo.

Mc Junior e Leonardo, no funk “Tá tudo errado” abordam o círculo vicioso alimentado pelas elites contra o povo. Ao mesmo tempo em que escrevemos este texto, uma propaganda do Bradesco passa na televisão. O narrador fala de pessoas que, quando se movimentam pra fazer seu sonho acontecer, ativam uma cadeia de outros sonhos em um poderoso elo invisível. O vídeo conta a história de um dono de tijolaria que, ao realizar seu sonho de montar uma empresa (e enriquecer), realiza o sonho da casa própria de um casal de classe média baixa que conseguiu a habitação pelo financiamento do Bradesco. Algo como um lindo círculo virtuoso, cujos elos foram construídos pelo banco, que realiza um mundo melhor a cada dia. Poético né? Os lucros milionários dos acionistas do Bradesco, sabiamente, são ocultados.

charge+BOPEEnquanto tivermos em todas as formas de comunicação (jornalismo, cinema, publicidade, música…) mensagens ludibriosas, como a da propaganda do Bradesco, ou que fomentem preconceitos contra pobres, negros, favelados, homosexuais, mulheres, será muito difícil convencer as pessoas de que só há ricos porque há pobres e de que todas as injustiças do mundo devem ser combatidas. Enquanto o herói do filme for o capitão Nascimento, o policial que der o tiro de misericórdia em criminosos ou inocentes será aclamado pela opinião pública. E o círculo vicioso alimentados pelas elites para os pobres continuará esbarrando no círculo virtuoso – supostamente blindado – das elites.





Movimentos sociais interrogam Segurança Pública sobre mortes em favelas

5 11 2009

Entidades querem informações sobre mais de 40 mortes ocorridas em comunidades desde a queda de um helicóptero da PM, em outubro

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foto por Gustavo Mehl

Por Paula Máiran

Dezenas de cruzes com interrogações plantadas em pequenos vasos de terra foram instaladas ao meio-dia desta quinta-feira (5/11) na Central do Brasil, bem em frente à entrada da Secretaria de Segurança Pública estadual. O ato simbólico antecedeu a entrega de um manifesto assinado por 68 organizações e movimentos de Direitos Humanos que foi entregue ao secretário de Segurança Pública interino, o subsecretário de Inteligência Rivaldo Barbosa, com a cobrança da prestação oficial de contas sobre a quantidade e a identidade dos mortos nas operações policiais em favelas desde o sábado 17/10. Nessa data houve a explosão de um helicóptero da Polícia Militar no Morro dos Macacos, na Tijuca, Zona Norte, com a morte de três tripulantes, durante intervenção policial em disputa entre quadrilhas do tráfico de drogas.

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foto por Jackson Anastácio

Desde então, em 19 dias, houve mais de 40 mortes em um período de intensificação da rotina de operações policiais realizadas em favelas. Mas o Estado ainda não informou à população sobre a quantidade exata de vítimas e a identidade dos mortos.

“Que política de segurança é essa que entra nas comunidades, produz tantas mortes e não esclarece quem são ou quantas são as vítimas?”, questionou a advogada Fernanda Vieira, da Mariana Criola, uma das organizações de Direitos Humanos envolvidas no ato, que reuniu cerca de 100 pessoas. “Cobrar explicações é um direito da sociedade e apresentar respostas um dever do Estado”, disse ainda, diante das contradições entre os números oficiais apresentados até agora e os divulgados pela imprensa.

O manifesto entregue ao secretário interino, porque o titular está em Brasília, traduz a posição dos movimentos sociais contra a política de segurança pública pautada pela criminalização da pobreza e o extermínio da população das favelas. O subsecretário Rivaldo assumiu o compromisso de providenciar a resposta às questões propostas pelos movimentos sociais. “Nosso manifesto é contra essa lógica de segurança pública que não tem apresentado efeito prático, já que a violência só tem aumentado”, explicou
Rafael Dias, pesquisador da Justiça Global, uma das entidades organizadoras do ato.

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foto por Jackson Anastácio

“É bom para o Rio de Janeiro que a sociedade civil se organize para o debate sobre a segurança pública. Uma sociedade segura não é a que tem muita polícia, muitas mortes e muitos conflitos. O Rio de Janeiro precisa de uma alternativa e é possível termos uma outra polícia e uma outra política de segurança. O governo não pode temer esse diálogo com a sociedade civil”, disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), cujo mandato apoiou o ato-manifesto.





Machismo mata!

31 10 2009

600--Rafael_CortezRafael Cortez, repórter do CQC faz esta ótima análise sobre o caso da aluna da Uniban hostilizada por alunos:

Breve tratado sobre a covardia e a mulher

Vi agora o polêmico vídeo da aluna da UNIBAN – o que mostra uma centena de estudantes acuando e hostilizando uma jovem que foi assistir a uma aula em um campus da Universidade… vestindo uma roupa vermelha e curta.

(para quem ainda não viu, as lamentáveis cenas, aí segue…)

A histeria coletiva, a que tomou conta de tudo, como se bem vê nas imagens, falou mais alto. Começou motivada por um ou outro covarde preconceituoso e, como era de se esperar em atos covardes, encontrou na comodidade do anonimato de quem só tem força no meio da multidão, uma forma de se propagar estupidamente.

As massas são cegas, já sabemos. É no meio da galera que se esconde o cara que joga uma pedra no outro dentro de um estádio de futebol lotado. Camuflados entre os comparsas, agem os mais fracos – os que intimidam só pq se apegam ao bando para serem homens de verdade. É na comodidade das milhares de pessoas virtuais anônimas, e acobertadas por outras do mesmo tipo, que molestam os pedófilos, atacam os inquisitores e “cagam-regra” os mais fracos; os bundões de verdade. Que as massas são cegas, nós já sabemos. A discussão agora é: até que ponto elas podem ser tão cruéis?

O que mais me chamou a atenção no episódio da “aluna-puta” (como o caso já se tornou maldosamente conhecido – e só essa definição já dá pano pra manga!), foi o fato de tudo ter se passado no campus de uma Universidade que me recebeu tão bem, e com tanta alegria e carinho, ainda esse ano numa palestra. Fiquei impressionado ao perceber como uma mesma turma boa e receptiva pode ser agressiva e cruel. Como lógicas preconceituosas e machistas imperam nesse mundo, nesse país!

Um ponto importante. Já chegaram a me questionar no Twitter hj, inclusive. Puxa, que coisa, não? Mas ela estava vestindo uma roupa vermelha curtinha; parecia uma puta. Bem, ela mereceu, não?

O que é isso agora? As pessoas vão ser julgadas até qdo pelo que vestem? E, no mais, se essa garota – que nem conheço e jamais poderia julgar – for isso ou aquilo da vida, quem está em condições de ser juiz e dar um veredicto de intimidação e violência como aquele, compartilhado com todos no Youtube?

Continua … Leia mais clicando aqui

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O desenhista Diego Novaes – que entre outros veículos, desenha pra Vírus – também faz uma ótima análise e charge:

chargeunibam

Bom, todos já sabem que há cerca de uma semana atrás, a jovem estudante Geyse dos Santos quase foi linchada na Uniban, (uma escolãozinho particular desses aí que oferecem cursos de dois anos por R$ 199,00 ao mês).

A onda de animosidade ao redor da garota, centenas de homens e mulheres gritando “PUTA, PUTA, PUTAAAAAAAAA!!!”, a intervenção da PM para escoltá-la numa espécie de corredor polonês para que não fosse agredida fisicamente, além de ser revoltante, expões as vísceras podres da barbárie a que estamos lobotomizados a acreditar como sendo “normal”.

CAPA_CARTILHA_MARIA_DA_PENHATeria ela agredido, difamado, roubado, violentado, torturado ou matado alguém? Não não! Como você bem sabe, caro leitor, a Geyse cometeu o crime hediondo de ir para a faculdade de saia curta.

Realmente talvez não seja o lugar mais propício par se usar esse tipo de roupa, é consenso. Porém, alunos foram entrevistados para que a opinião pública pudesse entender o motivo de tanta selvageria.

A resposta de todos, homens e mulheres, foi mais ou menos a mesma: “ela é uma vadia e tem que aprender”, “não se anda vestida assim tão indecente na faculdade” e mais todo tipo de baboseiras conservadoras e reacionárias que se pode imaginar.

A questão aqui é hipocrisia. Hipocrisia pura. Pode apostar, caro leitor, dentre os que lá estavam certamente tinham três categorias de seres humanos:

1- Moças um pouco frustradas com a própria falta de ousadia (ou quem sabe frustradas por não serem tão bonitas ou atraentes ou carismáticas quanto sua vítima, talvez), enlouqueidas com a saia curta da garota.

2 – Rapazes não muito certos de sua masculinidade e querendo dar uma de machões, descontando na pobre moça pois em grupo a testosterona masculina entra em ebulição (e é uma ótima oportunidade para gritar em voz grossa, acima de qualquer suspeita).

3 – Pessoas embriagadas e/ou as marias-vais-com-as-outras, que não souberam jamais cultivar o menor grau de personalidade e gritaram irracionalmente (se um se jogar num abismo acho que todos se jogam juntos).

Quer dizer, na hora de partir pra cima de uma moça indefesa chamando-a de puta (e SE ela fosse puta realmente, o que é que você ou eu ou eles tem a ver com isso???), todo mundo é valente. E não só os que protagonizaram aquela cena deprimente, mas MUITA gente que viu e soube a apóia esse tipo de comportamento!

machismo

Nossa sociedade é extremamente machista. Milhares de mulheres ainda sofrem opressões.

Se você é um desses que pensam assim, queria te perguntar o seguinte: A saúde pública tá boa? Tem leito e tratamento pra todos? A educação no País vai bem? As escolas públicas são um ótimo lugar para se estudar? A política de enfrentamento em todo o País tá legal?

Tem ninguém inocente morrendo pela bala do Estado né? O contribuinte não está pagando as regalias da classe política não, né? A União não vai gastar 36 bilhões em sucata militar nem sei mais quantos milhões com mais 7 mil vereadores inúteis não, né?

Quem dera que tivéssemos o mesmo grau de revolta e de ódio contra os governantes e políticos que todos os dias nos roubam e prejudicam tanto.

Quem dera que numa mesma reação violenta pudéssemos nos revoltar contra tanto descaso, roubalheira e corrupção que está a sendo jogada na nossa cara todos os dias e não fazemos mais do que nos conformar.

Talvez seja verdade o velho ditado de que cada povo tem os governantes que merece.

Eu gostaria de acreditar que não.





Manifestação pública contra o “revide” da segurança pública

30 10 2009

Próxima quinta-feira, dia 5, é dia de ir à luta.

O cartaz tem as informações. Compareça!

cartaz





Manifesto público contra o “revide” da Segurança Pública do Rio de Janeiro

27 10 2009

latuff

As operações policiais que estão sendo realizadas pela polícia do Rio de Janeiro desde o dia 17 de outubro, após a queda de um helicóptero no morro São João, no Engenho Novo, próximo ao Morro dos Macacos, já têm um saldo de mais de 40 pessoas mortas e um número desconhecido de feridos. É o resultado evidente de uma política de segurança pública baseada no extermínio e na criminalização da pobreza, que desconsidera a vida humana e coloca os agentes policiais em situação de extrema vulnerabilidade.

A lamentável queda do helicóptero e a morte dos três policiais não pode servir como mais um pretexto para ações que, na prática, significam apenas mais violência para os moradores das comunidades atingidas e mais exposição à vida dos policiais. Ao se utilizar do terror causado pelo episódio para legitimar ações que violam a lei e os direitos humanos, o Estado se vale de um sentimento de vingança inaceitável. Em outras palavras, aproveitando-se da sensação de medo generalizada, o governo de Sérgio Cabral oculta mais facilmente as arbitrariedades e violações perpetradas nas favelas, como o fechamento do comércio, de postos de saúde e de escolas e creches – além, é claro, das pessoas feridas e das dezenas de mortos.

A sociedade carioca não pode mais aceitar uma política de segurança pautada pelo processo de criminalização da pobreza e de desrespeito aos direitos humanos. Definitivamente, não é possível jogar com as vidas como faz o Estado contra os trabalhadores – em especial os pobres, os negros e os moradores de favela – utilizando-se como desculpa a chamada “guerra contra as drogas”.

As organizações da sociedade civil, movimentos sociais, professores da rede pública e outros preocupados com a situação que há cerca de uma semana mobiliza o Rio de Janeiro se uniram para exigir o fim das incursões policiais baseadas na lógica do extermínio e a divulgação na íntegra da identidade dos mortos em conseqüência dessas ações. Até o fim da semana, o coletivo fará visitas às comunidades atingidas e se reunirá com moradores para ouvir relatos relacionados à violência dos últimos dias. Na quinta-feira, dia 5 de novembro, haverá um ato em frente à Secretaria de Segurança Pública, no Centro do Rio.

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2009

ASSINE ESSE MANIFESTO EM -- http://www.ipetitions.com/petition/manifestosegurancapublica.

Assinam esse manifesto:

Justiça Global

CRP – Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro

SEPE – Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação

DDH – Defensores de Direitos Humanos

Grupo Tortura Nunca Mais

CDDH – Centro de defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis

Central de Movimentos Populares

Projeto Legal

Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência

Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola

PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul

MNLM – Movimento Nacional de Luta pela Moradia

Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo

Mandato do Deputado Federal Chico Alencar

Mandato do Vereador Eliomar Coelho

DPQ – Movimento Direito Pra Quem?

Fazendo Média

NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação

Agência Pulsar Brasil

Revista Vírus Planetário

ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social

AMARC – Associação Mundial das Rádios Comunitárias

APN – Agência Petroleira de Notícias

O Cidadão – Jornal da Maré

ANF – Agência de Notícias das Favelas

Coletivo Lutarmada Hip-hop

Conlutas

Intersindical

Círculo Palmarino

Fórum 20 de Novembro

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Manifesto público

Contra o “revide” da Segurança Pública do Rio de Janeiro





Ataque a helicóptero da PM no Rio de Janeiro “legitima” o extermínio

24 10 2009

Por Renato Godoy de Toledo do Brasil de Fato

Violência em morro carioca desencadeia repressão, com execuções e invasão de moradias

helicopteropmrestos173A disputa por pontos de tráfico de drogas no Rio de Janeiro (RJ) recrudesceu nos últimos dias e contou com acontecimentos inéditos, como o abatimento de um helicóptero da polícia por traficantes, próximo ao morro São João, na zona norte da capital fluminense, no dia 17. Três policiais militares que estavam na aeronave morreram e outros dois ficaram feridos, mas já tiveram alta.

O ocorrido despertou a atenção da mídia internacional, que abordou a questão da segurança nos Jogos Olímpicos de 2016. E, como já é de praxe, desencadeou um processo repressivo por parte das forças policiais. Na guerra entre traficantes e policiais, cerca de 24 pessoas morreram, entre policiais, traficantes e civis – o governo admitiu a morte de, ao menos, três inocentes. O efeito midiático da queda de um helicóptero parece ter dado um aval à Polícia Militar do Estado para praticar extermínio e outros abusos de poder, como a invasão de casas sem mandado.

A violência no Rio de Janeiro deixou o âmbito municipal e ganhou contornos de assunto da política nacional. O ministro da Justiça, Tarso Genro, ofereceu tropas federais ao governador fluminense Sérgio Cabral, que recusou. Mas aceitou um repasse de R$ 100 milhões da Secretaria Nacional de Segurança Pública para reforçar a situação.

O próprio secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu que houve execuções após os acontecimentos, inclusive por parte de policiais. Apesar de ter admitido a morte de “inocentes”, as atribuiu ao tráfico de drogas.

Entre os policiais que ocupavam o helicóptero abatido, estava o major João Jaques Busnello, que em setembro executou um rapaz que fazia uma mulher de refém, em Vila Isabel, também na zona norte do Rio. Após a ação, o policial afirmou que optou por “neutralizar” o criminoso e que guardaria a cápsula como lembrança de um “tiro certeiro”.

Ineficiência

21_macacosPara João Tancredo, presidente do Instituto de Desenvolvimento de Direitos Humanos (IDDH), a classe média carioca, estimulada pela imprensa, nutre um sentimento de apoio ao extermínio dos pobres, sem ter conhecimento da ineficiência dessa política.

“A classe média, mal informada e desesperada, começa a acreditar nessa política e no extermínio como forma de diminuir a violência. Mas não sabem que isso não resolve nada. A cada 20 mortos, existem 100 para entrar no lugar. Isso porque não há mercado de trabalho”, explica Tancredo.

Ainda de acordo com ele, o tráfico é movimentado por um número pequeno de funcionários e possui um extenso exército de reserva. Com a morte prematura de seus membros, a reposição é feita imediatamente.

Dados do Complexo do Alemão – região com histórico de ocupações militares e desfechos violentos – comprovam a afirmação de Tancredo. Com cerca de 200 mil habitantes, apenas 0,05% da população é ligada a tais atividades. “Não é preciso muito mais do que isso para movimentar o tráfico. E há um imensa reserva de mão-de-obra esperando para entrar”, comenta.

Apenas siglas

A imprensa noticiou a violência na zona norte do Rio como, inicialmente, uma disputa por pontos de tráfico realizada entre duas facções do crime organizado, o Comando Vermelho (CV) e a Amigos dos Amigos (ADA). Segundo essa versão, chefes do tráfico do morro São João invadiram o vizinho Morro dos Macacos. No entanto, é uma análise recorrente, entre especialistas em criminalidade e direitos humanos, que tais siglas têm mais relevância no plano simbólico e midiático do que no dia-a-dia do crime. Tal análise dá conta de que os criminosos se intitulam como membros de determinada organização, mas não têm uma relação orgânica com traficantes em nível municipal, menos ainda regional.

latuff-seg“Esse argumento tem toda a razão, [a existência dessas siglas] é mais marketing do que algo concreto. Se fosse organizado como se fala, o crime já teria tomado a acidade. Não há nenhuma organização, não há isso na prática. Fala-se muito em ‘aquele morro é do CV, aquele é de não sei quem’. O que existe é um gerente em cada morro que controla o tráfico. Se essas organizações existissem o crime teria controlado a cidade, porque mão-de-obra tem e exército de reserva eles têm de sobra”, analisa João Tancredo.

Pretexto
Com a derrubada do helicóptero da PM, a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro iniciou uma operação preventiva na cidade, sitiando outros sete morros da zona norte. Para João Tancredo, o Estado pode ter feito vistas grossas ao confronto entre traficantes para poder retomar o controle em áreas da cidade. O governo do Estado admitiu que sabia da intenção de alguns traficantes de tomar o controle do morro São João.

“Existe a possibilidade de que o Estado tenha deixado isso acontecer para depois tomar essas medidas de execução e de invasão da casa das pessoas sem mandado. Primeiro, deixam instaurar o caos, para depois controlar as favelas”, afirma.





Intelectuais de todo o mundo lançam manifesto contra CPI do MST

22 10 2009

mst

Foi divulgado hoje (22) um manifesto assinado por dezenas de intelectuais do Brasil e do mundo em defesa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e contra a proposta de CPI que pretenderia “investigar” o movimento. O documento denuncia todo o processo de criminalização do MST a partir dos últimos acontecimentos, em especial a exploração da mídia no caso da ocupação às fazendas controladas irregularmente pela Cutrale e a tentativa de instauração da CPI.

O lançamento do manifesto foi uma iniciativa dos próprios intelectuais. Entre as personalidades que assinam estão brasileiros como Antonio Candido, Luis Fernando Veríssimo e Emir Sader, e estrangeiros como o uruguaio Eduardo Galeano, o francês Michael Lowy e o português Boaventura de Souza Santos.

O documento lembra que a titularidade das terras da Cutrale é contestada e que não há nenhuma prova da participação de trabalhadores do MST na destruição de máquinas e equipamentos da empresa. “Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST”, denuncia o texto, que chama a atenção, também para a crescente concentração fundiária no país e para a violência em conflitos agrários. “Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.”

Para assinar o manifesto em defesa do MST clique em: http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html





Organizações e movimentos sociais denunciam aluguel de ‘caveirões’ por policiais

19 10 2009

Por Justiça Global

Mais de cinqüenta mortos em quatro meses na Maré em confrontos que tiveram a participação de policiais

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Foi enviado hoje, dia 19 de outubro de 2009, um ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro que denuncia a prática de aluguel de carros blindados da PM e a violência das políticas de segurança que desconsideram a vida do morador de favela. O documento, endereçado pela Justiça Global, pede investigação sobre a atuação policial em comunidades da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e traz anexado um manifesto assinado por cerca de 200 pessoas e dezenas de organizações da sociedade civil e movimentos sociais.

O texto do manifesto faz referência às constantes trocas de tiros que têm ocorrido na Maré há quase cinco meses, desde que, em uma ação que teve a participação ativa de policiais e o aluguel de caveirões a uma facção criminosa, foi iniciada uma disputa entre traficantes. Levantamento feito por moradores dão conta de que, apesar da pouca divulgação nos meios de comunicação, até setembro mais de cinqüenta pessoas teriam sido mortas nos conflitos. No início do mês, o governo estadual e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já haviam sido igualmente oficiados.

Ato reuniu 600 pessoas em setembro

O envio do ofício foi feito apenas dois dias depois que um confronto entre traficantes em favelas de Vila Isabel não foi impedido por policiais e terminou com a queda de um helicóptero da PMERJ. Os conflitos entre grupos armados na Maré e o aluguel de caveirões já havia sido denunciados reiteradamente pelos próprios moradores, mas as autoridades públicas praticamente não se posicionaram sobre o assunto. No início de junho, a Secretaria de Segurança chegou a soltar uma nota desqualificando as denúncias de que policiais militares participaram da invasão à favela Vila dos Pinheiros.

ato contra a violência na Maré ocorrido no dia 20 de setembro

ato contra a violência na Maré ocorrido no dia 20 de setembro

A violência na região e o silêncio dos governantes resultou em um ato organizado por moradores, organizações e igrejas locais que, no dia 20 de setembro, reuniu nas ruas da Maré cerca de 600 pessoas que pediram a valorização da vida e o fim da violência, e protestaram contra o descaso das autoridades.

O objetivo da entrega do documento é sintetizar os diversos relatos e denúncias ouvidos de dezenas de moradores desde o início dos confrontos, no dia 30 de maio de 2009, e cobrar uma rigorosa e célere investigação das denúncias. As diversas instituições que assinam o manifesto, a partir da situação da Maré, fazem uma crítica da política de segurança pública do governo do estado e relacionam a orientação desta política com a situação de caos vivida pelos moradores de favelas no Rio de Janeiro.

Leia o manifesto na íntegra em www.global.org.br





Comissão de golpistas e de Zelaya chegam a um acordo

17 10 2009

Volta de presidente Zelaya ao poder depende agora da aprovação das duas partes

Do Brasil de Fato

As comissões negociadoras do governo golpista e o governo legítimo chegaram, nesta quarta-feira (14), a um acordo sobre a devolução do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, ao poder.

Desde a semana passada, os delegados passaram a debater uma solução para a crise política no país, que vive um golpe de Estado desde junho.

Agora, a proposta será entregue ao presidente legítimo, Manuel Zelaya e o presidente golpista, Roberto Micheletti, para suas considerações e aprovação do texto.

“Alcançamos um consenso sobre um texto único no ponto número seis (que envolve a volta de Zelaya ao poder) (…) Eu não posso falar do conteúdo do texto, porque para não  descumprir o compromisso o que poderia constranger a outra parte”, disse em conferência de imprensa Víctor Meza, um dos negociadores por Zelaya.

Meza disse que vai para a embaixada brasileira, onde se encontra Zelaya, desde 21 de Setembro, para que o presidente hondurenho possa analisar e emitir uma resposta sobre o texto. (com agências)

Volta de presidente Zelaya ao poder depende agora da aprovação das duas partes